
Vou de ônibus, o Busú...
O busú pega o caminho...vale transporte...tentativas de cochiladas no banco trepidante...vou de busú e está sendo bom... Os minutos chegam aos quarenta...talvez um pouco mais...nada nunca é igual...a não ser pelo olhar daquele menino! Às vezes mais lotado...lotado de gente que vai ao trabalho...lotado de expectativas, de escolhas, de oportunidades... Muito do sustento depende daquele busú... muito dos sonhos... muito da sobrevivência... Até chegar ao seu destino a hierarquia desaparece... são todos passageiros a cumprir um novo dia... Solidários, como que a perceber no outro a sua própria necessidade...os livros, bolsas, pastas, marmitas são tomados por quem conseguiu um lugar sentado...idosos e grávidas ocupam o lugar a que tem direito... mesmo que para alguns não passe de uma instintiva atitude, é um exercício do bom viver... e começa cedo...nas primeiras horas, ao acordar do sol... É a minha vez de descer... eu e o menino que me fala com os olhos... quem sabe amanhã volte a vê-lo... Enquanto ando, penso nas mudanças da vida... nas vidas naquele ônibus... nas vidas que encontrarei hoje ao abrir a porta da empresa... penso nas mudanças... não temos pontos fixos... o nosso roteiro muda ao decorrer das horas... às vezes somos capazes de determinar o fim da linha, mas não sabemos se chegaremos lá... estou feliz com as mudanças dos meu dias... espero sempre pegar o ônibus certo... PatitaM
- Postado por: PatitaM às 21h02 [ ]
Ontem assistindo com meu pai a cerimônia de sepultamento do Papa, fiquei impressionada com a comoção mundial...fiquei me perguntando se aqueles líderes de Estado não estavam fazendo nada mais do que uma auto promoção, já que era possível pra mim, compreender a emoção dos católicos com a despedida do seu mestre maior. De repente, percebí que só conhecia e pouco, o lado carrasco daquele velho enfermo, e que muitas vezes me indignei com a sua intolerância ao homossexualismo, pílula e camisinha. - O que é que esse Papa fez? Não sei de nada bom que ele tenha feito. - Perguntei, um tanto incrédula e envergonhada da minha ignorância, ao meu pai católico, que surpreso com a pergunta falou um pouco e me mandou pesquisar...como que uma punição pela minha falta de conhecimento. Hoje, visitando uma das comunidades orkutianas (e que a minha falta de tempo me fez abandonar) me deparo com um tópico sobre o Jabor...aquele cara que nos faz refletir, mesmo quando gostamos ou odiamos seus pontos de vista. Colocaram um dos seus textos...ateu, ele fala do Papa. Vale um tempo pra ler!
Eu não gostava do Papa João Paulo II E fui por aí, observando esse Papa sem muita atenção. É tão fácil desprezar alguém, ideologicamente... Quando vi que ele era “reacionário” em questões como camisinha, pílula e contra os arroubos da Igreja da Libertação, aí não pensei mais nele...Tive apenas uma admiração passageira por sua adesão ao Solidariedade do Walesa mas, como bom “materialista”, desvalorizei o movimento polonês como “idealista”, com um Walesa meio “pelego”. E o tempo passou. Essa foto é um marco, um símbolo forte, quase como as torres caindo em NY. Parece um prenúncio do Juízo final, um rosto do Apocalipse, a cara de nossa época. É aterrorizante ver o desespero do homem de Deus, do Infalível, do embaixador de Cristo. Naquele momento, Deus virou homem. E, subitamente, entendi alguma coisa maior que sempre me escapara: aquele rosto retorcido era o choro de uma criança, um rosto infantil em prantos! O Papa tinha voltado a seu nascimento e sua vida se fechava. Ali estava o menino pobre , ex-ator, ex-operário, ali estavam as vítimas da guerra, os atacados pelo terror, ali estava sua imensa solidão igual à nossa. Então, ele morreu. E ontem, vendo os milhões chorando pelo mundo, vendo a praça cheia, entendi de repente sua obra, sua imensa importância. Vendo a cobertura da Globo, montando sua vida inteira, seus milhões de quilômetros viajados, da África às favelas do Nordeste, entendi o Papa. Emocionado, senti minha intensíssima solidão de ateu. Eu estava fora Aí, quem tremeu fui eu, com olhos cheios d’água. E vi que Karol Wojtyla, tachado superficialmente de “conservador”, tinha sido muito mais que isso. Ele tinha batido em dois cravos: satisfez a reacionaríssima Cúria Romana implacável e cortesã e, além disso, botou o pé no mundo, fazendo o que italiano algum faria: rezar missa para negões na África e no Nordeste, levando seu corpo vivo como símbolo de uma espiritualidade perdida. O conjunto de sua obra foi muito além de ser contra ou a favor da camisinha. Papa não é para ficar discutindo questões episódicas. É muito mais que isso. Visitou o Chile de Pinochet e o Iraque de Saddam e, ao contrário de ser uma “adesão alienada”, foi uma crítica muito mais alta, mostrando-se acima de sórdidas políticas seculares, levando consigo o Espírito, a ideia de
- Postado por: PatitaM às 09h31 [ ] | |||
Foto: Leda Lopes
O seu Melhor Adeus meu
Era o meu melhor perfume, Meu melhor penteado, Meu melhor vestido... ... Eram meus melhores versos, Aqueles dentro da bolsa, Endereçados a você... ... Era o meu melhor sorriso, Eram os meus melhores sonhos, Eram fortes meus abraços. ... Era o meu melhor ouvido, A escutar tantos sentidos, Do que você tinha pra falar. ... Era minha melhor verdade, Era minha, Essa verdade. ... É minha melhor tristeza, É meu melhor lamento, É o meu Adeus... ... ...E que seja o melhor.
PatitaM
- Postado por: PatitaM às 18h19 [ ] |